Saturday, June 19, 2010

Pequena Homenagem a um Mestre

Eis que hoje se despedem os portugueses de José Saramago, filho da terra e prémio Nobel da Literatura.

O que se perde juntamente com este indivíduo?
Uma calma coragem de sabiamente ousar questionar a religião organizada, causando polémicas por ele inteligentemente debatidas.
Alguém que, de maneira simples, teve o génio de quebrar um dogma gramatical e criar um estilo de escrita inédito, cativante, intimista. Com cada leitor consegue uma afinidade tremenda que raramente se obtém, e também com ele estabelece uma relação pessoal igual, que ocorre em todos, mas é única para cada indivíduo.

Um Homem não é de ferro. Um Homem não dura para sempre.
Mas haverá legado maior que algumas das palavras mais poderosas até hoje escritas?

O corpo foi-se, mas a mente permanece no rio de linhas e de histórias por ele escritas; viverá para sempre pelos olhos de quem o lê.

Obrigada pela ousadia, pelas palavras, e pelos pensamentos por elas desencadeado.

Saturday, May 22, 2010

Maneiras que...

Maneiras que os últimos dias (semanas? meses?) não têm sido lá grande coisa. Enfim...

Apetece-me escrever apenas porque sim.
Porque quero?
Porque preciso?
Porque não tenho grande coisa para fazer?
Sim.

Como alguns já sabem, a minha família sofreu um golpe da vida bastante maganinho. Não mesmo directamente, mas ainda assim afectou bastante.

Devo confessar que ver uma pessoa da nossa própria idade num caixão é algo que mexe connosco. Não me relacionava com ela, não gostava particularmente dela, e isso era mais que recíproco. Ainda assim, faz-nos pensar.
Ela tinha 21 anos.
Estava a tirar o curso de Medicina.
Tinha amigos, namorado, uma família que a adorava.
Tinha sentido de aventura e coragem, isso permitiu que tirasse o melhor partido da sua curta vida.

E eu penso...
Vou fazer 21 anos.
Tecnicamente, não estou em curso nenhum, nem sei o que quero fazer particularmente da vida.
Tenho amigos, indispensáveis, uma família pequena e que adoro. Namorados, para mim agora é dispensável.
Sou medrosa. Não consigo tirar partido nenhum da vida por um medo irracional que se apodera de mim. Deixo as coisas andar e habituo-me a elas, embora isso me faça mal. Tenho medo de lutar, porque tenho medo de falhar. E fico nesta agonia auto-imposta e aqui me deixo a marinar, sem saber o que fazer ou dizer. Sinto-me ridícula porque acho que a minha felicidade não é algo porque valha a pena lutar.

Se fosse eu naquele caixão? O que poderia dizer eu que alcancei, que concretizei?...

Sunday, April 11, 2010

Bounded by the Red String of Fate


"At no time did she ever doubt he was telling the truth"
"Not only did he trusted her, he never doubted her loyalty to him"

Friday, April 09, 2010

As Leis de Inês

Lei 3 - A perfeição de alguém não está nas suas virtudes ou qualidades, mas sim no nível de suportabilidade relativa dos seus defeitos.

Monday, March 08, 2010

Partilha de opiniões sinceras

Pessoal que eventualmente leia isto, vamos lá ver uma coisa: quem, como eu, já está farto de textos repletos de chachada sentimentalona pseudo-romântica que reflectem bastante "emosidade" e evidente falta de actividade sexual?
Pois é... A minha vista acaba de ficar ainda mais desfocada após ler um testamento de características iguais às expressas acima, tudo em fonte Lucida Handwriting e, suspeito, a Itálico.
Mas para além da pobre escolha do grafismo da "obra", o que mais faz com que o encontro da palma da minha mão e a minha cara ocorra mais frequentemente é o seu conteúdo (or lack there of).
Se uma pessoa quer escrever um tema tão batido como a pessoa sem punhos, deveria tentar uma abordagem um pouco mais original. O amor, as coisas más da vida, o afecto, e tal e coiso, são temáticas que gastaram rios de tinta, tinta essa mais mal que bem desperdiçada. Não é escrever texto repleto de falsa mágoa com palavreado caro que faz dele um bom texto, ou do autor um bom escritor.
O que faz de um texto um bom texto é, na minha opinião, a simplicidade com que ocorre o sentimento de identificação do leitor com as palavras que lê (que pode ocorrer com palavras caras, ou não). E com identificação, não quero dizer que as pessoas só gostam de ler textos e artigos que vão de encontro aos seus gostos. Pode muito bem gostar-se de um artigo que apresente argumentos opostos àqueles que defendemos, embora seja mais provável que prefiramos (isto está bem escrito?) um que defenda o mesmo que nós. Bem, esta identificação é algo subjectivo, mas acho que quem sabe apreciar um texto consegue perceber aonde quero chegar.
Mas enfim, para concluir, quero apenas deixar a seguinte mensagem aos potenciais escritores do futuro:
Por favor, tentem libertar frustrações antes de escreverem. E se ainda assim, escreverem e publicarem o que escrevem na World Wide Web, sujeitem-se à opinião de estranhos. Nem todos são vossos amigos e são "obrigados" a gostar. Respeitem a opinião de quem se dá ao trabalho de ler a merda que publicam e ainda se presta a comentar na esperança que em vós se incida um raio de luz que traga bom gosto e melhor uso do Português.
Tenho dito.

Sunday, February 28, 2010

Estou farta.

Estou farta, cansada, zangada, irada, irritada, aborrecida, e mais toda e qualquer sensação que aumentasse a redundância desta frase.
Estou farta da cegueira voluntária..
Estou farta do capricho e da superioridade.
Estou farta de complexos.
Estou farta de sentimentos falsos.
Estou farta de pessoas que acham que mudar de vida é como mudar de camisa.
Estou farta de falso interesse.
Estou farta de pena.
Estou farta da falta de respeito, de humildade, de consideração.

Estou farta de ver o mundo, cheirar o mundo, provar o mundo, ouvir o mundo, mas não sentir o mundo.

Estou farta de tentar e não conseguir, de não esquecer e de não aprender.
Estou farta de ter esperança.

Monday, February 01, 2010

As Leis de Inês

Lei 2 - Os gajos normais andam com gajas complicadas. As gajas normais andam com gajos complicados. Passam o tempo todo no vai-não-vai e depois acabam.
Quando os normais finalmente se encontram já é altura de procriar e não aproveitam nada.

Saturday, January 09, 2010

As Leis de Inês

Lei 1 - A vontade de estudar é inversamente proporcional à quantidade de matéria e ao tempo disponível para o efectuar.