Monday, May 25, 2009

Indignações

Por cortesia dos meus vizinhos, estou neste momento a ser brindada com o que de melhor se faz no ramo da música ligeira romântica brasileira. Ouvir brasileiros a gemer lamechadas acerca da mulher que lhes enfeitou a cabeça e o quanto agora lhes custa dobrar para passar nas portas é sempre um deleite, não há que duvidar.
Por muito deleitoso que seja, não percebo porque há de esta - vamos lá ser simpáticos - "gente" fazer questão que toda a rua saiba dos seus gostos musicais.
Enfim, gostos musicais à parte, já deu para perceber que todo o membro daquela família sofre de qualquer tipo de surdez, ou um desenvolvimento demasiado acentuado das cordas vocais, passando da avozinha até aos petizes, não deixando também de afectar o canito que lá habita.
Para além de tudo isto, ainda há o facto da simpatia como tratam as outras pessoas e o respeito demonstrado para com os outros seres humanos, como podem constatar do episódio que relato a seguir.
Estamos algures em Janeiro de 2009, na véspera do segundo teste de Introdução à Química da Vida, o que por si só já quer dizer muita coisa.
Ocorre que, por volta das 15h desse dia, os jovens aqui de cima resolvem pôr a tocar apenas o refrão da música do "Vou bloquear-te no MSN", cuja autoria desconheço e espero continuar a desconhecer, em loop contínuo, e acompanham o talentoso artista com as suas afinadas vozes, ao mesmo tempo que riem histericamente.
Talvez isto nas primeiras cinco horas tivesse sido engraçado, mas, chamem-me o que quiserem, eu já começava a ficar um pouco farta.
Lá pelas 20h, o papá começa a resmungar com os adolescentes para porem aquilo mais baixo, e eles obedecem. De nível de volume 100, eles lá fazem o obséquio de baixar para 98.
Chegam as 22h, é tempo da novela da SIC. A simpática avó berra: "metam essa merda mais baixo, que eu quero ver se é hoje que a Flora vai presa". Eles obedecem à anciã? Não! O que faz ela então? Mete a televisão no máximo, pois então! Assim, aqui a Inês, para além do "Vou excluir-te do Orkut!..." e afins, também ouve coisas do género "sua vagabunda pilantra salafrária!", entre outros insultos típicos de uma "cat-fight" das novelas da Globo.
Meto o despertador para as 6h da matina do dia seguinte, pois teria de ir para a faculdade bem cedo, na vã esperança de ainda conseguir dormir. Ah, que inocente eu fui!...
Chegam as 2h da madrugada; eu ainda sem dormir, a música sempre a tocar. Também o Bobi resolve ladrar e patinhar pela casa fora, obviamente necessitado de uma paticure urgente.
Aqui, indigno-me. Levanto-me, e, vociferando vocábulos invocativos do orgão sexual masculino e do acto de fornicar que remetiam para acções que gostaria que fossem infligidas para com estas amorosas criaturas que moram no 5º direito, dirijo-me para a minha sala de estar, que é apenas a divisão mais fria da minha casa (não esqueçamos que isto se passa em pleno Inverno), munida da minha fiel almofada e do telemóvel, que calha ser também o meu despertador.
Deito-me no sofá, e passado algum tempo chega a minha progenitora, que me manda voltar para a cama, pois ficarei doente se dormir na sala com aquele tempo. Ao que eu respondo algo do género (com censura):
Doente já eu estou com o poopoo desta música, possa! Pinoca para esta gente, mas que poopoo é que eles pensam que são, pá?! Daqui a quatro horas tenho de me levantar para fazer o poopoo de um teste, já não basta não ter estudado um rabinho durante a tarde agora também não durmo! Mas que falta de respeito é esta, pénis? A possa daqueles putos não têm escola amanhã, pá?! Vão mas é todos ao pénis que os pinoque!
Nisto já são 3h. Eles lá chegam à conclusão que a música afinal não é assim tão gira. Assim, 12 horas depois de terem começado, carregam eles no stop do Media Player.
Passo então o dia inteiro na faculdade, das 8h até mais ou menos às 16h. O teste lá se fez, miraculosamente consegui obter positiva não obstante do facto de a bela da música continuar a retinir nos meus ouvidos e da enxaqueca se ter instalado na minha cabeça durante todo esse dia.
Já não me lembro do que aconteceu ao certo no resto do dia, o que sei é que a minha mãe chega a casa, depois de ter apanhado o elevador com duas das mulheres oriundas do apartamento acima do meu. Ela estava visivelmente chateada, pois andaram as duas senhoras a sussurrar algo do género "Esta gaja é que deve ser a mãe daquela miúda estúpida, onde é que já se viu deixar a filha gritar daquela maneira àquelas horas".
Tirem agora as vossas elações daquilo que aturo quase todos os dias, desde que esta tropa de chungaria se veio mudar para o meu prédio.

Moral da história: por amor de Natas, dêem-me uma arma no Natal.

1 comment:

Daniela said...

eu tb vou pedir ao natas...
tudo pela tua sanidade mental...=)
bj